• Iniciativas de jornalismo independente do Nordeste se unem e lançam campanha de financiamento coletivo

    Iniciativas de jornalismo independente do Nordeste se unem e lançam campanha de financiamento coletivo

    O “Balaio Nordeste de Jornalismo Independente” surge com o objetivo de estimular a produção de conteúdo jornalístico de qualidade na região

    Com o intuito de fortalecer o jornalismo independente do Nordeste, diversas organizações da região se uniram de forma inédita para lançar uma campanha conjunta de financiamento coletivo. A proposta leva o nome de “Balaio Nordeste de Jornalismo Independente”. Os recursos arrecadados devem garantir a produção de conteúdo jornalístico de qualidade feito a partir do próprio território. Com a arrecadação online, pretende-se atingir a meta de R$32 mil.

    O projeto foi idealizado pela Marco Zero Conteúdo, em parceria com o Mestrado de Indústrias Criativas da Unicap e apoio da OAK Foundation e International Fund for Public Interest Media (IFPIM). O Balaio Nordeste de Jornalismo Independente reúne veículos de comunicação distribuídos por oito estados da região, que precisam de apoio e investimento para o desenvolvimento e subsistência das suas atividades.

    A ideia surge a partir da necessidade de garantir a manutenção e a existência de um jornalismo plural no Nordeste, feito de maneira independente, sem amarras e qualquer interferência de grandes empresas e grupos políticos nas linhas editoriais dos veículos. Para a jornalista Helena Dias, uma das organizadoras da campanha e integrante do Coletivo Tejucupapos, projetos como esse são importantes para descentralizar as narrativas jornalísticas e ampliar a diversidade de pautas. “São muitas iniciativas de comunicação local nesses territórios que já fazem jornalismo e que precisam do fortalecimento dessa atuação para poder continuar comunicando sem estereótipos”, comenta Helena. “É uma questão de lugar de fala. Quem melhor que o Nordeste para falar do Nordeste?”, provoca a jornalista.

    Segundo o Atlas da Notícia, censo que mapeia o jornalismo no Brasil, 56,7% das cidades nordestinas não possuem nenhum veículo de comunicação. Mesmo enfrentando grandes desafios com relação à sustentabilidade financeira, a atuação de coletivos independentes na segunda região mais populosa do Brasil contribui com a mudança desse cenário e também com a luta comprometida com a visibilidade de comunidades e pessoas marginalizadas pela sociedade.

    Em uma região marcada pelo esquecimento e a indisposição da cobertura da mídia tradicional hegemônica, são justamente os veículos independentes que cobrem in loco, com constância e de maneira empática pautas relacionadas à nossa cultura e às nossas questões cotidianas. “Isso tem mudado ao longo do tempo, mas a gente ainda vê muito essa identidade nacional marcada por uma identidade branca, de um sotaque sudestino e sulista, quando na verdade a diversidade do Brasil é muito grande, quando esse Nordeste existe e tem suas características que também precisam aparecer na comunicação e no jornalismo”, pontua Helena. E acrescenta, ao destacar a importância da campanha inédita: “ É muito dessas duas coisas: a qualidade do jornalismo e também a disputa de uma identidade que precisa ser mais diversa ao ser retratada”.

    A campanha de financiamento coletivo é essencial para que as organizações captem recursos para cobrir despesas administrativas, remunerar suas equipes, adquirir equipamentos audiovisuais e ampliar a cobertura aprofundada de pautas relevantes. Para apoiar, acesse a campanha em catarse.me/balaionordeste e ajude a fortalecer o jornalismo independente e nordestino. As contribuições variam de R$20 a R$500 reais, com recompensas criativas e exclusivas.


  • Festival Verouvindo divulga programação completa de sua 8ª edição 

    Festival Verouvindo divulga programação completa de sua 8ª edição 

    De 20 de novembro a 02 de dezembro, o Festival, acessível às pessoas com deficiência, terá duas mostras competitivas de curtas e exibições de filmes de longa metragem

    O Festival Verouvindo chega à sua 8ª edição, celebrando o cinema de rua e promovendo uma experiência inclusiva no audiovisual brasileiro, entre 20 de novembro a 02 de dezembro, no Cinema do Museu (Fundaj – Casa Forte) e no Cinema da Universidade Federal de Pernambuco. A programação apresenta uma seleção de filmes de curta e de longa-metragem, todos apresentados com recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência: audiodescrição (AD), Tradução Audiovisual em Língua de Sinais (Tals) e Legendas para Surdos e Ensurdecidos (LSE). 

    Com o objetivo de contribuir para a inclusão cultural das pessoas com deficiência, o Festival exibe filmes com as acessibilidades aparentes, isto é, sem a mediação de aplicativos, e sempre em sessões bilíngues (português e Libras). Na programação, o público verá curtas pernambucanos, como Dorme Pretinho, de Lia Letícia; Ciranda feiticeira, de Thiago Delácio, e Recife de dentro para fora, de Kátia Mesel, frutos do Prêmio Serviço VerOuvindo de Acessibilidade. 

    Nesta edição do VerOuvindo, a já tradicional Sessão Memória tem como foco a defesa da importância do cinema de rua. Por isso, o sábado, dia 2 de dezembro, será dedicado ao tema. Pela manhã, haverá a exibição do filme Censura livre (28 min, doc, livre, 1981), de Ivan Cordeiro. Um dos clássicos do movimento Super-8 pernambucano, o média-metragem mostra a transformação de muitos dos cinemas de rua do Recife. Logo em seguida, haverá a aula: “Das telas às ruas: o Recife Cinematográfico”, a cargo da curadora do VerOuvindo, professora de Cinema da UFPE, Amanda Mansur. Em seguida, haverá ainda a exibição do curta Quem me quer, de Tiago Pinheiro, documentário sobre o nosso majestoso Cinema São Luiz. O público poderá participar fazendo perguntas e comentários. No turno da tarde, o festival promove uma excursão pelos antigos cinemas do Centro do Recife. Essa ação, comandada pelo Coletivo #CineRuaPE, é intitulada de “Passeio Fantasma” (91 min, doc, classificação 12 anos, 2023) em alusão ao mapa afetivo que o cineasta Kleber Mendonça Filho apresenta em seu último filme, Retratos fantasmas. Representante do Brasil no Oscar de 2024, essa obra será exibida com as acessibilidades abertas para todos os públicos, à noite, no encerramento do Festival.

    Um dos momentos mais esperados do VerOuvindo é o das mostras competitivas que reúne profissionais da acessibilidade atuantes em vários estados brasileiros, experientes e iniciantes, para concorrer aos prêmios de Melhor Audiodescrição e de Melhor Tals, nas categorias: ficção, documentário e animação. O público também poderá votar, com cédulas em braile, em tinta e em fonte ampliada, para eleger a Melhor Audiodescrição e a Melhor Tals pelo Júri Popular.

    Para o público infanto-juvenil, haverá a exibição do filme Pedrinho e a chuteira da sorte (44 min, animação, livre, 2018), animação da Viu Filmes, que conta a história e um menino, apaixonado por futebol, que sonha em se tornar o maior jogador do mundo. Em sua jornada, a chuteira da sorte lhe ajuda a aprimorar suas habilidades e superar obstáculos no campeonato do bairro.  

    “Na primeira edição, em 2014, o VerOuvindo tornou-se pioneiro no Brasil na difusão audiovisual com as acessibilidades gravadas. É um festival que produz, exibe e discute a acessibilidade no cinema, refletindo sobre a técnica e a estética da audiodescrição, da Libras e da legenda para surdos e ensurdecidos – LSE”, ressalta Liliana Tavares, diretora executiva do VerOuvindo e gestora da Com Acessibilidade Comunicacional, empresa que atua na execução de projetos de acessíveis, principalmente, no audiovisual e nas artes visuais. “É um evento que, além de promover o acesso do público com deficiência às salas de cinema, atua também na formação e no reconhecimento dos profissionais da acessibilidade no audiovisual”, complementa. 

    HOMENAGEADOS – O 8º Festival Verouvindo prestará uma homenagem ao professor e tradutor de Libras Alessandro Vasconcelos, e à audiodescritora e doutora em Estudos de Linguagem Larissa Costa.

    A abertura oficial, no dia 29 de novembro, às 19h, contará com as palestras dos homenageados: “Relato de experiência: AD simultânea da Copa do Mundo na TV e AD gravada da novela Todas as flores, para o streaming e para a TV”, por Larissa Costa; “A importância da atuação da pessoa surda na equipe de tradução para Libras no audiovisual”, por Alessandro Vasconcelos.

    Gratuito, o Festival tem incentivo do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC), Fundação de Cultura Cidade do Recife, Secretaria de Cultura e Prefeitura do Recife. Premiado, em 2018 foi vencedor do Concurso de Boas Práticas da Sociedade Civil do Mercosul em Acessibilidade no Audiovisual, da Recam. No mesmo ano, recebeu o Voto de Aplauso, da Câmara dos Vereadores da Cidade do Recife, e, em 2021, recebeu o Voto de Aplauso da Assembleia Legislativa de Pernambuco.

    Jornada VerOuvindo – Em paralelo ao festival, é realizada a Jornada VerOuvindo, com atividades formativas, como: cursos, oficinas, palestras e debates sobre acessibilidade comunicacional, reunindo especialistas, profissionais, estudantes e o público interessado. 

    A programação das apresentações de trabalhos pode ser conferida na página do Festival. 

    Confira a programação completa do Festival VerOuvindo:

    Segunda, dia 20 de novembro | Cinema da UFPE

    14h – O documentário “A Carta de Esperança de Garcia”, com duração de 105 minutos, realizado por Douglas Machado em 2023, conta a história de Esperança Garcia, a primeira advogada negra do Brasil. O filme, que conta com a participação da aclamada atriz Zezé Motta, relata o ato de coragem de Esperança, que em 6 de setembro de 1770 redigiu uma carta ao governador da Capitania, denunciando os abusos e violência sofridos por ela, sua família e outros cativos. Encontrada no Arquivo Público do Piauí em 1979 por Luiz Mott, antropólogo, essa carta se tornou um ícone de resistência nos movimentos afrodescendentes.

    Domingo, dia 26 de novembro | Fundaj/Museu

    19h –“Paloma”, um filme de ficção dirigido por Marcelo Gomes com duração de 104 minutos, classificado para maiores de 16 anos, narra a história de Paloma, uma mulher trans determinada a concretizar seu grande sonho: um casamento tradicional na igreja com seu namorado Zé. Apesar de trabalhar arduamente como agricultora em uma plantação de mamão para juntar dinheiro e custear a celebração, ela se depara com a recusa do padre em realizar a cerimônia, forçando-a a confrontar os preconceitos e desafios da sociedade rural. Paloma enfrenta violência, traição, discriminação e injustiça, porém sua fé permanece inabalável.

    Terça-feira, dia 28 de novembro | Fundaj/Museu

    9h – “Pedrinho e a Chuteira da Sorte” é uma série de animação da Viu Filmes composta por 4 episódios de 11 minutos, totalizando 44 minutos, livre, lançada em 2018. A narrativa gira em torno de Pedrinho, um jovem apaixonado por futebol, determinado a se tornar um renomado jogador. Ele é auxiliado por um artefato enigmático, a Chuteira da Sorte, que o ajuda a aprimorar suas habilidades e superar desafios no torneio local. Ao lado de seus talentosos colegas de time, Pedrinho enfrenta competições emocionantes e absorve importantes lições sobre esporte, amizade e vida. Ao longo da série, eles exploram novas técnicas de jogo e conhecem diversas pessoas, tornando-a um deleite para os entusiastas de futebol e aventura.

    Quarta-feira dia 29 de novembro | Fundaj/Museu

    Às 9h, a competição de filmes em Libras apresentará três filmes: “Caryocar Coriaceum” (21 min, doc, livre, 2023), dirigido por Valéria Pinheiro, Adriana Pimentel, Marcelo Paes de Carvalho. O audiovisual explora o papel das mulheres na preservação do Piqui na região da Chapada do Araripe, hoje ameaçado pela devastação da Floresta do Araripe. O documentário destaca o esforço diário dessas mulheres para garantir seu sustento através desse fruto, revelando os processos sociais envolvidos nessa prática e mostrando as histórias envolventes das personagens locais.

    Outro filme em destaque é “Além da lenda: Bicho Papão”, que conta a história emocionante da Cabra Cabriola, um animal sonhador que almejava ser artista de circo. Essa narrativa exige a crença e a imaginação do espectador para se envolver na trama.

    Por fim, “Luta” retrata a luta de Camila Guedes contra a burocracia e o preconceito para importar canabidiol, o único recurso capaz de controlar as convulsões do seu filho de um ano, que sofre de uma forma rara de epilepsia.

    14h – Mostra competitiva de audiodescrição 

    Quinta-feira, dia 30 de novembro | Fundaj/Museu

    14h30 – Mostra de curtas pernambucanos do Prêmio Serviço VerOuvindo de Acessibilidades (com a presença de Lia de Itamaracá). Exibição dos filmes:  Recife de dentro para fora, de Kátia Mesel; Ciranda feiticeira, de Thiago Delácio; e Dorme Pretinho, de Lia Letícia.

    Sexta-feira, 1º de dezembro | Fundaj/Museu

    14h – Surdes, de Thays Prado

    Sábado, dia 02 de dezembro | Fundaj/Museu

    10h – Censura livre, de Ivan Cordeiro 

    10h30 – Das telas às ruas: o Recife Cinematográfico: Aula com Amanda Mansur, curadora do Festival.

    11h30 – Quem me quer, de Tiago Pinheiro

    16h – Passeio fantasma, com o Coletivo #CineRuaPE (excursão pelo mapa afetivo de Kleber Mendonça Filho)

    19h – Premiação da Mostra Competitiva 

    19h30 – Retratos fantasmas, de Kleber Mendonça Filho


  • Iniciativa de jornalismo seleciona consultor de acessibilidade digital com deficiência auditiva 

    Iniciativa de jornalismo seleciona consultor de acessibilidade digital com deficiência auditiva 

    As inscrições para o projeto Checagem Acessível, iniciativa de combate a falta de acessibilidade digitais nos portais de verificação de notícia, acontece de forma online até o dia 15 de junho

    Texto: Mariana Clarissa / Imagem: Banco de imagem

    O projeto Checagem Acessível, iniciativa que atua com a criação de soluções para a aplicação das diretrizes de acessibilidade digital em portais de verificação de notícias, está com inscrições abertas para a seleção de um consultor de acessibilidade digital com deficiência auditiva. Para participar do processo seletivo o profissional deve enviar o currículo, até o dia 15 de junho, para o e-mail chacagemacessivel@gmail.com.

    Entre as habilidades exigidas para a vaga, o candidato deve ter conhecimentos em comunicação acessível, tecnologia assistiva e português, ter compreensão do universo da verificação de notícias e saber elaborar análises e relatórios. No projeto, o trabalho de consultoria tem duração de 4 meses e não requer o cumprimento de carga horária, apenas a entrega de demandas com prazo pré-estabelecido. 

    PROJETO – O projeto Checagem Acessível propõe uma solução para os problemas da desinformação que atingem as pessoas com deficiência e a falta de acessibilidade nas plataformas de checagem de notícias. A iniciativa é encabeçada pela Eficientes, organização de jornalismo independente que produz conteúdos acessíveis destinados às pessoas com deficiência liderado pela jornalista Larissa Pontes, e a Lume Acessibilidade, uma empresa jornalística de consultoria, cursos e treinamentos em acessibilidade comunicacional comandado pela jornalista Mariana Clarissa. 

    De acordo com Larissa Pontes, apesar da comunicação ser um direito humano, da existência de legislação específica e de protocolos de acessibilidade para sites e aplicativos, não há efetividade nas práticas por desinteresse ou recursos para atender às demandas deste grupo. “Esta parcela da população fica ainda mais vulnerável aos conteúdos desinformativos e as fakes news, pois não conseguem acessar com qualidade os portais de notícia e, assim, verificar se a informação é, de fato, verídica”, afirma a jornalista. “Diante disso, o projeto vai atuar principalmente na formação de jornalistas, sobretudo os profissionais que atuam na prática de checagem de notícias, para minimizar o desconhecimento das diretrizes de acessibilidade digitais e treinar a equipe que elabora os sites para aplicar as técnicas que garantem o acesso efetivo e sem obstáculos das pessoas com deficiência durante o uso de portais e dispositivos digitais”, completa Mariana Clarissa.

    No Brasil, é estimado que haja 45 milhões de pessoas com alguma deficiência, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


  • São João do Vale lançará a primeira Plataforma de Mapeamento de Espaços com Foco em Acessibilidade.

    São João do Vale lançará a primeira Plataforma de Mapeamento de Espaços com Foco em Acessibilidade.

    Texto: Larissa Pontes / Imagem: Vale PCD

    Partindo do desejo de transformar os eventos no Recife mais diversos e acessíveis, o Vale PCD fará a segunda edição com o São João do Vale no dia 10 de junho. O evento, que acontece das 18 h às 4 h, no Pajubar, visa o protagonismo das pessoas com deficiência em todos os espaços. 

    Em março de 2023, aconteceu a primeira comemoração do Vale Pcd, chamada Vale Tudo, para celebrar os três anos da organização sem fins lucrativos e o aniversário de Priscila Siqueira, uma das fundadoras do Vale PCD. O evento mostrou-se um sucesso, o Pajubar ficou lotado de pessoas com deficiência e todos se divertiram ao som de diversas músicas internacionais e nacionais. “Ficou evidente que a inclusão e a celebração da diversidade são valores que devem ser abraçados em todos os momentos festivos” — afirma a fundadora Priscila Siqueira. 

    Na segunda edição da festa, o Vale PCD lançará a primeira plataforma de mapeamento de todos os espaços públicos e privados com foco em acessibilidade. As pessoas com deficiência terão acesso a informações sobre a estrutura dos locais que desejam frequentar, como rampas de acesso, banheiros adaptados e elevadores. A plataforma pode ser acessada pelos computadores e celulares. “Com essa plataforma, estaremos quebrando barreiras e promovendo a inclusão de maneira prática e eficiente” -afirma Priscila. 

    Além da plataforma, a noite terá artistas com deficiência e LGBTQIA+, como Go vinicius, Leonardo Galize, Nina Poison e Rodolfo Moura, que convidarão todos para dançarem, haverá uma barraca do beijo acessível e filtros para serem usados no evento. O evento terá listas PCD e Trans, que permanecerão disponíveis até o dia 09 de junho, entrando em contato pelo Instagram @pcdvale.  

    Conheça mais sobre o Vale Pcd 

    O Vale PCD, uma organização dedicada à promoção da inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência que também fazem parte da comunidade LGBTQIA+, tem se destacado no cenário nacional com suas ações de impacto. Com foco em eventos acessíveis, consultorias, emprego e saúde mental, a organização tem se esforçado para que todas as pessoas tenham a mesma oportunidade. 

    A ONG realizou uma consultoria no Festival do Futuro, no início deste ano, o que contribuiu para a implementação de medidas inclusivas e acessíveis para pessoas com deficiência. Essas ações visam conscientizar a sociedade e incentivar uma maior compreensão, aceitação da diversidade e garantir a interseccionalidade de pessoas com deficiência LGBTQIA+ no Brasil.


  • Festival 3i contará com intérpretes de Libras e tradutores simultâneos de línguas estrangeiras

    Festival 3i contará com intérpretes de Libras e tradutores simultâneos de línguas estrangeiras

    Em sua 4ª edição, o Festival 3i de Jornalismo Independente, Inovador e Inspirador desembarca no Rio de Janeiro, entre os dias 5 e 7 de maio, com uma programação diversa e trazendo a proposta de um ambiente acolhedor e inclusivo.

    Apresentando um novo formato, que combina as mesas de debates tradicionais com workshops e apresentações de cases de sucesso, o evento discute a sustentabilidade do ecossistema de mídia e os caminhos para um jornalismo cada vez mais inovador. 

    O evento apresenta perspectivas para o novo jornalismo, abordando temas como o uso de dados e o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para melhor execução do trabalho jornalístico; a preocupação com o bem-estar e segurança de profissionais, a adaptação às novas linguagens e plataformas de distribuição; o desenvolvimento de metodologias diversas de gestão e o estímulo à mentalidade de produto.

    A Ajor (Associação de Jornalismo Digital), realizadora do 3i desde 2022, entende que a acessibilidade é indispensável para o sucesso e qualidade do evento. Todos os encontros do palco principal do Festival 3i contarão com intérpretes de Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

    Além disso, todas as mesas, workshops e apresentações de cases que contarem com a presença de convidados internacionais terão tradução simultânea de intérpretes para a língua portuguesa.

    De acordo com Maia Fortes, diretora-executiva da Ajor, garantir um ambiente acolhedor para todos está no DNA do Festival e da Associação, que tem a promoção à diversidade como um dos eixos de sua missão. 

    “Para além de entender a garantia aos espaços e ao conhecimento como valor, existe o direito a partir da Lei 10.098 que precisa ser cumprido. Serão 3 dias de muitas trocas e reflexões sobre o jornalismo do futuro – e precisamos que este futuro seja mais inclusivo”, explica Fortes.

    Os ingressos já estão à venda no site. O passaporte para os três dias custa R$ 250 inteira, e a meia entrada sai a R$ 125. A compra para apenas um dos dias também está disponível, no valor de R$ 150, e a meia entrada a R$ 75. O evento ocorre na Casa da Glória, um casarão histórico situado na Ladeira da Glória, região central da cidade. 

    Sobre o Festival:

    O 3i acontece desde 2017 e é o primeiro evento do Brasil focado em questões essenciais para aquelas e aqueles que querem empreender, inovar e liderar iniciativas digitais de jornalismo. Sua última edição nacional foi realizada em março de 2022, totalmente online devido à pandemia da covid-19, com participação de mais de 3 mil pessoas. Em novembro, Recife (PE) recebeu a 4º edição regional do evento e reuniu mais de 200 pessoas na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).

    O Festival 3i 2023 é uma realização da Associação de Jornalismo Digital (Ajor). Esta edição conta com patrocínio de Google, Meta, Luminate, TikTok, Fundação Tide Setubal e Clua (Climate and Land Use Alliance); apoio de Ford Foundation e Oak Foundation; e produção da Cardápio de Ideias Comunicação e Eventos.


  • Dia Internacional da Síndrome de Down, o estado de São Paulo oferece uma programação variada de atividades gratuitas.

    Dia Internacional da Síndrome de Down, o estado de São Paulo oferece uma programação variada de atividades gratuitas.

    Confira as ações culturais do Estado para pessoas com deficiência, promovidas pelas instituições culturais do Estado, como o espetáculo do “Coral TAM TAM”, a exposição “Arte para todos” e as reflexões sobre o livro “Quem sou seu?”

    O dia internacional da pessoa com síndrome de Down, celebrado hoje, 21.03, visa consciencializar e quebrar o estigma social a respeito da síndrome. A Organização das Nações Unidas (ONU) tem reconhecido essa data desde 2012. O estado de São Paulo está oferecendo uma programação de conscientização sobre esse dia, sem custo para o público. 

    As Fábricas de Cultura têm programas especiais para pessoas com deficiência, familiares, profissionais e toda sociedade para debater a acessibilidade cultural. A inclusão, diversidade e acolhimento são alguns dos temas que as Secretarias Estaduais da Cultura e Economia Criativa e dos Direitos da Pessoa com Deficiência  têm debatida constantemente, através de conversas para dialogar sobre a síndrome de Down, inspirado no livro “Quem sou eu?”, da jornalista e roteirista Mariana Reade. 

    “Essa é mais uma ação do Governo do Estado de São Paulo visando integrar no âmbito desta gestão a inclusão social e debater sobre a ocupação dos espaços públicos e culturais para todas as pessoas. Temos uma ampla oferta cultural e equipamentos acessíveis a todos”, destaca o Coordenador da Unidade de Formação Cultural da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Dennis Alexandre de Oliveira.

    Nas Fábricas de Cultura da zona leste de São Paulo, temos a exposição “Arte para todos”, em parceria com o Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural. Serão 10 telas com pinturas e técnicas variadas, cujos autores são jovens com síndrome de Down. A atividade será itinerante e ficará uma semana em cada local. O cronograma é: De 16/03 até 22/03 – Fábrica de Cultura Cidade Tiradentes; De 23/03 até 29/03 – Fábrica de Cultura Vila Curuçá; De 30/03 até 05/04 – Fábrica de Cultura Itaim Paulista.

    Já na Fábrica de Cultura de Santos, em 21/03 às 15h, o público apreciará o espetáculo musical da Associação Projeto TAM TAM, cuja principal objetivo é promover a inclusão em todos os aspectos. Como ONG, visa complementar políticas públicas para pessoas com deficiências, síndromes, distúrbios, e/ou doenças psiquiátricas e do afeto.

    E as equipes da Bibliotech organizaram, em todas as Fábricas de Cultura, rodas de conversas e encontros de leitores para dialogar a respeito da Síndrome de Down, alguns baseados no livro “Quem sou eu?”, da autora Mariana Reade. A obra trata, de um modo puro e inocente, do cotidiano de uma menina que nasceu com um cromossomo extra e se depara com a visão adulta de que ela não compreende o mundo. A personagem principal, que narra a história, revela-se como um ser que está vendo o mundo pela primeira vez.

    Hoje, às 10h, a Fábrica de Cultura Sapopemba fará uma transmissão ao vivo e convidará as mães de aprendizes com a síndrome para compartilhar as experiências de criar uma criança com Down. Nesta partilha, falarão alegrias e desafios, a fim de desmistificar, informar e sensibilizar as pessoas, com o intuito de diminuir o preconceito através da informação.

    Terão contações de histórias, também, da obra “Quem sou eu?”, na Fábrica de Cultura Parque Belém, em 21/03, às 10h. Na Fábrica de Cultura Santos, em 21/03, às 15h. Na Fábrica de Cultura Itaim Paulista, em 21/03, às 11h. Todas presenciais, nas bibliotecas, das respectivas instituições, sem necessidade de inscrição.

    E, ainda, terá roda de conversa sobre este assunto na Fábrica de Cultura Cidade Tiradentes, em 21/03, às 15h, com o aprendiz de teatro Nestor Ferreira Jr. e os familiares e, depois, o vídeo será divulgado no YouTube TV Fábricas. Além de outros encontros de leitores, como na Fábrica de Cultura São Bernardo do Campo, em 21/03, às 15h. 

    Na Fábrica de Cultura Vila Curuçá em, 21/03, às 15h30, com participação de Juliana Urquisa, mãe de Luciana Urquisa, uma garota com síndrome de Down. Todos serão transmitidos ao vivo nas redes sociais. Mais informações.

    Na Fábrica de Cultura Diadema terá o encontro com autora Mami Segunchi, em 21/3, às 15h, sobre o livro: Amor, uma fadinha muito especial. E na Fábrica de Cultura Jaçanã terá a sessão comentada do filme “Colegas”, em 21/3, às 14h, que tem como protagonista três atores com síndrome de Down. Para essa ação, estarão presentes a Associação de Pais e Amigos do Banco do Brasil e Comunidade que atende crianças com deficiência intelectual, TEA e Síndrome de Down e familiares. 

    Após a exibição, acontecerá um breve bate-papo com uma profissional do Serviço Social da região. O público será composto por aprendizes dos Ateliês de Capoeira e Balé da Fábrica, além do público enviado pela Associação.

    Na quinta-feira(23/03), às 14h30, na Fábrica de Cultura Brasilândia, terá exibição do curta “Marina não vai à praia”, onde um grupo de adolescentes prepara uma viagem para o litoral. Marina, uma garota com síndrome de Down, deseja conhecer o mar. Impedida de viajar, ela busca caminhos para realizar este sonho.


  • Encerramento do carnaval do Marco zero é marcado por superlotação na área acessível

    Encerramento do carnaval do Marco zero é marcado por superlotação na área acessível

    Texto: Paulo Pinheiro / Foto da capa: Larissa Pontes

    Está encerrado mais um carnaval do Recife, na terça-feira (21/02), a tradicional festa de fechamento aconteceu no palco Marco Zero e contou com nomes de peso da cultura pernambucana. André Rios, Nena Queiroga, Alceu Valença, Elba Ramalho, Lenine, Maestro Spok e João Gomes, comandaram o palco do polo principal, das 18h do dia 21 até às 4h do dia 22/02. A área acessível estava disponível para os/as foliões(a) aproveitarem o último dia do carnaval e se despedirem da época mais aguardada do ano pelos pernambucanos.  

    André Rios, abriu a festa e comentou a importância do carnaval democrático e inclusivo “É fundamental, eu fiz questão de descer para a parte de baixo do palco, é lindo poder dá acesso para todos de forma igualitária. A gente vive em um mundo que não cabe mais nenhum tipo de preconceito ou segregação, o sol está aí para todos, então que todos tenham possibilidades”, contou.

    Fotografia no palco do marco zero todo iluminado de vermelho, ao centro tem cantor João gomes cantando com seus músicos.
    Foto: Paulo Pinheiro

    As atrações estavam atentas a questão de acessibilidade do evento, assim como André, o Maestro Spok comentou a relevância da área acessível – Nós não conseguimos saber como é a realidade de uma pessoa com deficiência, só vivendo para saber das dificuldades, mas é sempre uma questão que acompanhamos de perto. Acredito que ainda tem coisas para melhorar, mas que bom que as pessoas estão acordando para este tema tão importante, que é a inclusão – explicitou.

    O Maestro ainda relembrou a participação do passista de frevo e cadeirante, Matheus Pimentel “é lindo ver ele no palco e você nota que aos poucos as coisas estão evoluindo, mas ainda tem muito a ser feito. Quando eu toco ao lado de alguém como ele, eu vejo tudo mais claro”, concluiu.

    O evento contou com a equipe de intérpretes de libras, que comentou a rotina no polo principal. “Eles podem interagir com a gente e com a obra do autor, tivemos todo um preparo antes para esse momento de tradução, estamos desde a sexta-feira, participando e transmitindo para a comunidade surda presente aqui na área acessível.”, Lucas Castro, intérprete de libras.  Para Simone Lime, também intérprete, o carnaval possibilitou boas experiências “é uma emoção enorme transmitir o que está acontecendo, isso é a verdadeira inclusão”, afirmou.

    Às 21h50 o palco do Marco Zero foi tomado pelos versos das músicas de João Gomes, o cantor mobilizou um grande coral com seus maiores sucessos: “Eu tenho a senha”; “Se for amor”; “Que nem vovô” e “Aquelas coisas”. João Gomes, também surpreendeu a todos da área acessível, ao descer do palco e cumprimentar todas as pessoas que estavam por lá.

    Fotografia do cantor João gomes, um homem branco, com boné preto, uma blusa de botão com xilografias, com calça jeans e está envolvido nos braços com bandeira de pernambuco.
    João Gomes emocionado ao cantar no Marco Zero (Foto: Paulo Pinheiro)

    Durante a coletiva, ele comentou a participação das pessoas com deficiência em seu show  – Ali na frente, tem pessoas na área acessível, todo mundo curtindo e tendo uma boa visão do palco. Estou muito feliz de estar aqui – pontuou. 

    Vânia Carvalho, avó de Jonatas Lima que é uma pessoa surda e usuário de cadeira de rodas, comentou o entusiasmo do neto pelos shows e sua satisfação em estar em uma área projetada para pessoas com deficiência “Ele adora festa! A área acessível está excelente, estou muito feliz pelo o que eu encontrei neste carnaval. Eles também sentem prazer em participar desta festa”, declarou.

    Fotografia de Vânia, uma mulher negra, com cabelo com rabo de cabelo, uma blusa azul e calça jeans e está abraçando Jonatas um homem negro, com cabelo curtinho, usa barba, está blusa e caça preta e está sentando na cadeiras de rodas.
    Vânia Carvalho e Jonatas Lima curtindo os shows do Marco Zero na área acessível. (Foto: Larissa Pontes)

    Com grandes atrações, o palco principal lotou cedo e consequentemente a área acessível também. O espaço destinado à acessibilidade do evento se tornou pequena, para o grande público com deficiência que compareceu ao espetáculo. Segundo a organização da área PCD, às 19h o limite de pessoas foi atingido na área reservada e consequentemente várias pessoas com mobilidade reduzida, cadeirantes e surdas ficaram desassistidas pelo evento.

    “Faltou mais espaço no camarote da acessibilidade, só tem apenas um banheiro adaptado, era para ter mais. O atendimento está bom, eles foram legais com a gente, mas o espaço deixou a desejar. Eu não tive dificuldade para chegar aqui, mas tenho consciência que outros tiveram, pela quantidade de pessoas que estão aqui. A prefeitura do Recife deve procurara o Conselho da Pessoa com Deficiência, para receber orientação”, contou Amidol, Paratleta.

    Para a turista Siana Guarajara, Distrito Federal (DF), a falta de informação comprometeu o último dia do carnaval no Recife “Conseguimos o veículo acessível disponibilizado pela prefeitura e chegando lá, buscamos informações para termos acesso à área acessível e houve desencontros de informações. Os bombeiros nos ajudaram a chegar no palco, lá, a organização do evento disse que não havia mais vagas e pediram para nos retirarmos, pedimos para ficar no cantinho por medo da multidão que estava fora da área reservada e eles insistiram para saímos. Foi um constrangimento que poderia ter sido evitado. A área acessível era minúscula, tudo isso só para dizer que existe inclusão? Mas não existe”, relembra.


  • Galo da Madrugada recebe o Camarote da acessibilidade com apenas 200 vagas

    Galo da Madrugada recebe o Camarote da acessibilidade com apenas 200 vagas

    Texto: Larissa Pontes / Foto da Capa: Wesley D’Almeida/PCR

    A cidade do Recife despertou com o céu claro e o sol brilhante, o que era o brilho que o Galo da Madrugada tinha para trazer mais 2,5 milhões de pessoas para comparecer ao bloco, sendo considerado o maior do mundo. “O camarote da acessibilidade é uma parceria da prefeitura da cidade do Recife com a Fundação de Cultura e oferece para as pessoas com deficiência de mobilidade reduzida, esse espaço no maior bloco do mundo que é o Galo da madrugada. Então para a gente pessoa com deficiência é uma iniciativa muito importante, porque o Carnaval do Recife é um carnaval inclusivo” afirma dida duque, coordenadora de acessibilidade do camarote da acessibilidade.

    A Prefeitura do Recife disponibilizou 200 vagas para o Camarote da Acessibilidade. As pessoas com deficiência se inscreviam através do portal do Conecta Recife e, a partir daí, concorriam via sorteio quem ia poder ir ao camarote. Mais de mil cidadãos se inscreveram no portal do Conecta Recife para o Camarote da Prefeitura. Dessa forma, muitas pessoas com deficiência questionaram porque as vagas seriam por sorteio e porque não aumentaria a capacidade.

    “Sabemos que em Recife e Pernambuco tem muitas pessoas com deficiência, mas infelizmente a gente não tem estrutura para contemplar todo mundo. Então, nós esperamos também que outros camarotes do Galo também tenham acessibilidade, que dê condições para as pessoas com deficiência que queira comprar a sua camisa dos outros camarotes, que seja que possa ter acessibilidade. Mas infelizmente os empresários ainda não têm essa consciência de que a gente com deficiência se divertir. Não é só a prefeitura que tem se preocupar, as iniciativas privadas também. Tem que se preocupar com isso porque somos cidadãos, tem pessoas com deficiência que têm condições de comprar as camisas dos camarotes, mas infelizmente não vão, porque não tem acessibilidade. Então é um recado que deixo aí para os organizadores do Galo e pros organizadores também de Camarote que garantam acessibilidade para que nós pessoas com deficiência. Nós não queremos nada de graça, e sim nosso direito. A gente só quer que tenha que garanta a sensibilidade para gente poder estar nesses espaços. ” afirma Dida duque. 

    Fotografia com a estutura do Camarote da acessibilidade, com várias pessoas com deficiência esperando o desfile do Galo da Madrugada. Atrás do Camarote tem Igreja do Carmo e céu azul com poucas nuvens.
    Pessoas com deficiência acompanham o desfile do Galo da Madrugada (Foto: Larissa Pontes)

    O camarote da acessibilidade fica localizado o Pátio do Carmo, na Avenida Dantas Barreto, foi planejado desde dezembro. Ofereceu os serviços de Interpretação de Libras e audiodescrição. “Desde dezembro que a gente começa com esse trabalho, com toda a questão de estrutura, a Fundação de Cultura que mantém faz toda essa estrutura então. São quatro meses de preparo do camarote da acessibilidade para tudo sai ok”, explica Dida. 

    Um das pessoas sorteada foi Célio Ricardo, paratleta que chegou cedo ao camarote da acessibilidade e falou que as pessoas com deficiência estão saindo de casa. “O mundo globalizado com mais inclusão e acessibilidade, então muito cadeirante que ficavam em casa hoje consegue percorre a cidade do recife, que está bastante adaptável. O galo é um exemplo clássico para cadeirantes não ficar em casa, porque tem tudo aqui. Neste carnaval, como sou pernambucano estou esperando o frevo, orquestra de frevo, as outras é só mais um detalhe, mais o carnaval de pernambuco é frevo”, afirma Célio. 

    No Galo da Madruga estava presente a Rei e a Rainha das pessoas com deficiência. O Eficientes conversou com a rainha do carnaval, Nina Souza, microempreendedora, intérprete de libras e professora de dança. Com dez anos de experiência na dança, ela loga se interessou pelo concurso que envolvia a dança. “Não tinha esperança que eu ia ganhar, mas assim fui na empolgação dos amigos, então fui lá, dei o meu melhor e tô aqui hoje como rainha. É a emoção inexplicável, é cada momento, cada evento é uma emoção diferente. Eu particularmente estou fechando meus 10 anos de dança,  comecei no frevo sobre Rodas e agora como rainha do carnaval e assim sendo reconhecida sendo conquistando mais espaço ainda para dança e para mostrar a pessoa que a gente pode chegar em qualquer lugar” relata Nina. 

    Fotografia com o Rei e rainha da pessoa com deficiência na cadeiras de rodas e ao lado deles tem o Rei e Rainha da pessoa idosa e no meio está Ana Rita Suassuna que é secretária de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos, Juventude e Políticas sobre Drogas.
    Rei e Rainha da pessoa com deficiência e da pessoa idosa, Secretária de Desenvolvimento Social (Foto: Larissa Pontes)

    Saímos do galo diretamente para o Carvalheira na Ladeira, sendo uma festa privada com vários shows como Anitta, Durval, Jorge Matheus, Mari Fernandes que estão disponibilizando acessibilidade, embarcamos nessa aventura com nossa repórter Pamela Melo que irá relatar o que vivenciou. Confira a próxima reportagem. 


  • O carnaval do Recife teve acessibilidade?

    O carnaval do Recife teve acessibilidade?

    Texto: Larissa Pontes / Foto da Capa: Marcos Pastich/PCR e Ed Machado/PCR

    A longa espera para o Carnaval do Recife acabou na última sexta-feira (17), com a abertura do Carnaval na praça do Marco Zero. A cerimônia iniciou com as tradições pernambucanas com o desfile e apresentação das agremiações, depois o Maestro do Forró iniciou a cerimônia de abertura com a orquestra da bomba do Hemetério. Na sua apresentação teve a participação especial de Matheus Teixeira, o Rei da pessoa com deficiência do Carnaval, que transmitiu uma mensagem maravilhosa “O carnaval do Recife é isso, está aberto o carnaval da diversidade, da inclusão e do amor, muita paz e muito frevo”. 

    João Victor fez aniversário em 16 de fevereiro e estava na apresentação para celebrar os seus 14 anos com o pai, Edgar. Ele disse-nos: “Eu e meu filho João Victor gostamos muito da Orquestra Popular da Bomba do Hemisfério. Somos amigos de Chico, o maestro do forró, há muito tempo, e viemos prestigiá-lo mais uma vez”. 

    Fotografia tem Edgar que um homem branco, cabelo curto, usa óculos, está de blusa preta e calça jeans e nos seus ombros está seu filho João Victor, que criança com deficiência, vestida de homem aranha.  Atrás dele tem público geral do Marco Zero.
    Pai e filho assistindo à Orquestra da bomba do Hemetério (Foto: Paulo Pinheiro)

    O Carnaval do Recife teve como tema “#VolteiRecife Com Todos os Carnavais”, uma homenagem aos Carnavais antigos, devido ao grande anseio dos foliões por essa celebração tão democrática, que proporciona alegria para todos durante cinco dias. A capital pernambucana recebeu 2,7 milhões de pessoas, com média de 300 mil visitantes por dia no Marco Zero. Dentre eles, a mineira Carolina Ayres Lavourinha, designer e usuária de cadeiras de rodas, que veio do Rio de Janeiro com sua família. “Nós sempre viemos para o Carnaval do Recife, por minha mãe ser Pernambucana e gostamos muito do Carnaval daqui. Estou na expectativa para ver todos os cantores, Caetano Veloso, Duda Beat, Geraldo Azevedo, Alceu e Elba..” relata a designer. 

    Na fotografica tem quatro pessoas (duas mulheres e dois homens), todos com roupas de carnaval. Estão perto da grade que dividide o palco do Marco Zero e público geral.
    Família reunida para se diverti no Carnaval do Recife (Foto: Paulo Pinheiro)

    O Marco Zero dispôs de um espaço acessível para as pessoas com deficiência, onde podiam assistir aos shows, levar um acompanhante e usufruir do serviço de audiodescrição, além de contar com intérpretes de Libras. 

    Liliana Tavares, responsável pela equipe de audiodescrição, explicou como funciona. “ Nós temos um aparelho, no qual, falamos e as pessoas com deficiência visual escuta tudo se que se passa no palco, traduzimos as imagens, é nosso segundo ano realizando esse trabalho aqui no Carnaval”. A equipe “com a acessibilidade” estuda toda a programação do Carnaval para que este trabalho seja realizado. “Nós temos um glossário do carnaval, pegamos as informações que saíram do carnaval, a gente vem antes, fotografa, faz o roteiro da audiodescrição antes, mas claro que carnaval é carnaval, acontece muita coisa simultânea, as roupas das pessoas, nós vamos saber no dia, como a gente tem muita experiência trabalhamos a mais de 10 anos, nós também fazemos isso de forma simultânea e qualquer coisa pode acontecer, porque a gente está perto do público, temos vê o que estão fazendo, o que estão vestindo, porque carnaval não é só show é quem está perto da gente também” conta Liliana. 

    fotográfia contém quatro pessoas (três mulheres e um homem) todas de blusa preta e calcça jenas, com fones de ouvido em frente ao palco do Marco Zero.
    Equipe da audiodescrição no Marco Zero (Foto: Paulo Pinheiro)

    Esses recursos de acessibilidade faz com que todos tenha acesso igualmente a aproveitar festa como o Carnaval. Liliana muito animada conta qual é sensação pode realizar esse trabalho. “Então, quando vemos, eles dançando, quando falamos assim, as pessoas estão levantando os braços com dedo para cima e eles fazem, é quando eles se sentem parte do grupo. Às vezes eles perguntam como se dança, maracatu, por exemplo. A gente vai e diz, mostra então assim fazer com eles façam parte da cultura e possam usufruir da festa e se sintam parte do grupo”, relata a coordenadora. 

    Michell Platini, publicitário, servidor público do Recife e pessoa com deficiência, visual, estevem presentem em vários dias na parte de acessibilidade e utilizando os recursos de audiodescrição, conta um pouco o que levar ele brincar o carnaval. “Sou carnavalesco, eu gosto de folia de povo e ter o recurso de acessibilidade para poder acompanhar o carnaval e fez, está aqui hoje. A experiência do carnaval está sendo muito rica, porque vivenciar o carnaval já é ótimo, vivencia o carnaval tendo acesso a imagens, faz você guardar na memória um momento como esse. Depois de dois anos sem carnaval a gente fica meio destreinado, mas é igual andar de bicicleta, quem já vivenciou o carnaval lembra como é emoção, lembra como é o passo do frevo, lembra qual é sensação de está no meio do povo. Então estou muito contente e alegre de está de volta ao carnaval” conta Michell. 

    Nesta noite de abertura do carnaval, está presente vários artistas, secretários, ministros e o prefeito do Recife, João Campos, explica sobre como foi montado a acessibilidade e a importância desses espaço. “ O carnaval do Recife é um carnaval inclusivo, significa que todos têm o acesso em participar. Fizemos o acesso especial para as pessoas com cadeiras de rodas, o galo da madrugada tem um camarote especifico da acessibilidade, tem que dar direito a todos, agora ninguém fica para trás, todo mundo pode brincar e se diverti”, explica o prefeito. 

    É importante que evento culturais tenha a preocupação e dê acesso às pessoas com deficiência poderem se divertir nos eventos. Silvério Pessoa, Secretário da Cultura, fala sobre a importância das práticas de acessibilidade na cultura. “ A acessibilidade que não seja nada excepcional, que seja uma prática natural, prática humana. O conceito de diferença ter que ser reconfigurado, revisto e o que percebo é que todas as atividades, as práticas, as ações não só da prefeitura, como a governadora do estado, a questão de acessibilidade, de inserção, de acolhimento, respeito, com naturalidade cada vez mais é acentuado. Então estou muito feliz de dizer, vê e perceber que essa ação está cada vez mais espontânea”, afirma Secretário. 

    Mas Recife ainda tem muitas questões a acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência para evoluir e aprimorar os serviços oferecidos, na noite de sexta-feira muitos detalhes de decoração, de serviços estavam sendo finalizados. Fernanda Lira Ayres, mãe de Carolina, também relatou que entrou em contato com a prefeitura do Recife e se informou que ia ter vans adaptadas para trazer até o Marco Zero. “Mas o transporte não era acessível, era uma van, que não era adaptada para a cadeira de rodas. Ela entrou no veículo nos braços do motorista, que foi muito solícito, mas mesmo assim é uma situação constrangedora. Quando chegamos no palco principal no início da tarde, ainda não tinha uma equipe para dar suporte”, afirma Fernanda. 

    Michell também relata que para chegar até Palco do Marco zero, não é muito fácil. “Sempre tempos dificuldades infelizmente não há uma rota acessível para essa área, o transporte público podia para mais perto. Mas sem está mar de gente para a gente curtir o carnaval”, afirma Michel. 

    O pai João Victor também faz algumas críticas sobre divulgação da acessibilidade chegue a mais pessoas com deficiência. “Seria bom que mais pessoas pudessem participar mais, a gente vê aqui dois cadeirantes, no estado de Pernambuco só tem dois cadeirantes? Se todo mundo se conscientizassem e terem acesso, muitas pessoas também não tem esse conhecimento de ter acessibilidade e essa facilidade que a gente tem de trazer nossos entes. Há 3 anos não temos o evento, já foi melhor, estou achando esse espaço muito pequeno, na hora que encher mesmo será meio complicado. Esse ano o espaço está sendo o menor de todos, apesar de só ter duas cadeiras só. Mas poucas pessoas vão respeita isso depois que convidados, convidado do convidado aí terminará lotando isso daqui”. 

    Na sexta-feira, a área de acessibilidade estava do lado direito do palco e era menor que nos outros dias em que realizamos a cobertura. Além disso, foi possível perceber a dificuldade de locomoção quando o espaço estava cheio de convidados da Prefeitura do Recife. Muitos cadeirantes tiveram que ser auxiliados pelos bombeiros para terem acesso ao banheiro ou sair dessa área.

    A cerimônia de abertura terminou com o espetáculo do Caetano Veloso, que animou a noite com canções do seu disco “Meu Coco”, mas também tocou algumas músicas mais antigas. Caetano tem uma ligação profunda com Pernambuco, já ganhou o título de cidadão Pernambucano e quis homenagear Pernambuco com a música “evocação” de Nelson Ferreira, um grande sucesso de Carnaval. A praça do Marco Zero estava cheia de pessoas ansiosas pelo show, pois fazia 10 anos que Caetano havia feito uma apresentação no Carnaval do Recife.

    O Manoel, que é estudante de publicidade e tem mobilidade reduzida, estava ansioso pelo show do Caetano. “Eu amo carnaval desde criança. A minha família é muito carnavalesca e eu só simplesmente amo. Por o carnaval ser isso, é a festa do povo, é uma grande festa contagiante, é a festa mais democrática que a gente tem no Brasil todo. Então eu amo estar nessa Folia e fazer parte desse carnaval na volta, né? Então eu não ia perder ele jamais e esse carnaval que marca volta e dois anos sem carnaval e hoje vim para vê o Caetano, porque ele embalar a minha vida são várias músicas dona da minha cabeça ela vem como um carnaval”, afirma o estudante de publicidade.

    Já duda beat estava emocionada de cantar na cidade onde nasceu e viveu por anos, relembrou quando ia ao Carnaval do Marco Zero com sua avó e fez uma homenagem a ela cantando a música “Voltei Recife”. O carnaval está oficialmente aberto para a brincadeira de sábado de Zé Pereira no maior bloco Galo da Madrugada. 


  • Carnaval do Recife garante acessibilidade para os foliões

    Carnaval do Recife garante acessibilidade para os foliões

    O carnaval de Recife em 2023 começará no dia 17 de fevereiro, trazendo vários artistas como: Caetano Veloso, Duda Beat, Alceu Valença, Elba Ramalho, Pabllo Vittar, Melim, Nando Reis, João Gomes, Nena Queiroga, André Rios e outros convidados para animar os foliões. A Prefeitura do Recife irá garantir acessibilidade para as pessoas com deficiência. 

    Paulo Fernandes, gerente de pessoas com deficiência na Secretaria Executiva de Direitos Humanos da Prefeitura do Recife, explica como irá funcionar a acessibilidade no Recife Antigo e Galo da Madrugada. 

    No palco do Marco Zero, as pessoas com deficiência terão acesso ao Frontstage, que fica na frente do palco, com acesso Interpretação de Libras e Audiodescrições. “A audiodescrição será apenas no Marco Zero, às pessoas cegas que forem para o Frontstage receberão o equipamento e o audiodescritor estará próximo fazendo a narração das informações visuais”, explica Paulo Fernandes.

    Para ter acesso ao Frontstage, as pessoas com deficiência precisam se dirigir para o lado esquerdo do palco principal do Marco Zero, haverá uma equipe da Central de Direitos Humanos e Acessibilidade para fornecer pulseiras de acesso à área acessível. As pessoas com deficiência deverão apresentar um documento que comprove a sua deficiência. 

    “O número de pulseiras é limitado e elas são distribuídas conforme a ordem de chegada e a capacidade do local. Além disso, haverá um espaço acessível nos polos da Praça do Arsenal e do Cais da Alfândega”, conta o gerente da pessoa com deficiência.

    A Prefeitura Municipal também disponibiliza intérpretes de Libras para as pessoas surdas em todos esses polos do Recife Antigo, além de vans adaptadas do PE Conduz, que sairão da frente da Prefeitura do Recife até o Palco Central do Marco Zero, para transportar usuários de cadeiras de rodas, de muletas e com mobilidade reduzida. O serviço das vans estará disponível das 18 horas à meia-noite. 

    O Galo da Madrugada também terá um espaço para pessoas com deficiência, o Camarote da Acessibilidade, com Interpretação em Libras e Audiodescrições. Para ter acesso às pessoas com deficiência precisam se inscrever. 

    As inscrições para este ano diferirá das dos anos anteriores. As pessoas com deficiência poderão se inscrever pelo Conecta Recife nos dias 13 e 14 de fevereiro, à tarde. “Neste ano, os candidatos concorrerão a 200 vagas, que serão selecionadas através de um sorteio online, ao vivo, que contará com a presença do prefeito João Campos. Ressaltamos que todos os inscritos receberão a confirmação com o horário do sorteio”, conta Paulo Fernandes. 

    Para se inscrever para o Camarote da Acessibilidade, só poderão pessoas a partir de 14 anos e residir no Recife. Na entrada do Camarote, será necessário apresentar um documento comprobatório da deficiência e o comprovante de residência. 

    As vans da empresa PE Conduz farão o transporte para Galo Madrugada apenas para as pessoas inscritas para Camarote da Acessibilidade, que sejam usuárias de cadeira de rodas, muletas ou mobilidade reduzida. O transporte sairá da Praça do Derby, às 07 horas e retornará ao mesmo local às 17 horas. 

    Confira a programação completa através do site Carnaval do Recife.